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Nota fiscal e vendas

Receber por Pix e maquininha no CNPJ do MEI: o que muda

Como o MEI recebe por Pix e maquininha no CNPJ: chave Pix da empresa, quando o banco pode cobrar tarifa, taxa e prazo do cartão e por que separar do CPF.

Atendido por Redação Guia do MicroempreendedorRevisado em · 5 min de leitura · Nível iniciante
O que tem neste guia 8 partes

Conta no CNPJ: o ponto de partida

Com o CNPJ do MEI ativo e o CCMEI em mãos, você pode abrir uma conta de pessoa jurídica em banco ou em instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central. Os documentos pedidos costumam ser o CCMEI, documento com foto e comprovante de endereço, mas cada instituição define a lista.

Antes de escolher onde abrir, compare:

  • tarifa mensal do pacote, se houver;
  • quantas transferências e boletos estão incluídos;
  • custo para receber Pix de vendas;
  • se a instituição oferece extrato fácil de baixar, que ajuda no controle do mês.

Não existe instituição certa para todo mundo. Leia a tabela de tarifas antes de assinar.

Chave Pix no CNPJ

Na conta da empresa, você pode cadastrar o próprio número do CNPJ como chave Pix, além de e-mail, telefone ou chave aleatória. Usar o CNPJ como chave ajuda o cliente a conferir que está pagando a empresa certa, porque aparece o nome empresarial na confirmação.

Algumas dicas práticas:

  • deixe a chave do CNPJ impressa no balcão ou no cartão de visita;
  • confira, antes de entregar a mercadoria, se o Pix caiu de fato (comprovante enviado por mensagem pode ser falso);
  • use o QR Code gerado pelo app da conta quando quiser que o valor já venha preenchido.

Quando o banco pode cobrar tarifa de Pix

A Resolução BCB 19/2020 trata a pessoa física e o empresário individual, categoria em que o MEI se encaixa, do mesmo jeito em parte das operações. Em resumo:

Operação no Pix Pode cobrar tarifa do MEI?
Enviar Pix (transferência ou compra) pelos canais digitais Não
Receber Pix de transferência Não
Receber Pix com finalidade de compra (pagamento de venda) Pode

Ou seja: quando o cliente paga uma venda, a instituição pode cobrar, desde que a tarifa esteja no contrato e na tabela. Atendimento presencial ou por telefone também pode ter cobrança no envio. Pergunte isso antes de abrir a conta e guarde a tabela.

As regras do Pix estão na página do Banco Central sobre o sistema, que é onde vale conferir mudanças.

Maquininha: taxa e prazo

A maquininha de cartão cobra uma taxa sobre cada venda, chamada de taxa de desconto (ou MDR). Ela costuma ser diferente para débito, crédito à vista e crédito parcelado. Além da taxa, observe:

  • prazo de recebimento: em geral o débito cai mais rápido e o crédito demora mais, conforme o contrato;
  • antecipação: receber o crédito antes do prazo tem custo extra, como um empréstimo;
  • aluguel ou compra do aparelho: compare o custo total no ano, não só o preço da máquina;
  • conta de destino: configure para o dinheiro cair na conta do CNPJ.

Exemplo de quanto sobra de uma venda

Imagine uma venda de R$ 200 no crédito à vista, com taxa hipotética de 4%.

Conta: R$ 200 × 4% = R$ 8. Cai na conta: R$ 200 - R$ 8 = R$ 192.

No relatório mensal, a receita é R$ 200, não R$ 192. Os R$ 8 são custo do negócio e entram nas saídas do seu fluxo de caixa. Se você antecipar esse valor, o custo da antecipação também é saída.

Esse custo precisa estar dentro do preço. O guia de como calcular o preço de venda mostra onde ele entra.

Por que não usar a conta do CPF para vender

Receber tudo no CPF parece mais simples, mas cria problemas:

  • fica difícil separar o que é venda do que é presente, salário de outro emprego ou ajuda da família;
  • o relatório mensal vira adivinhação;
  • você perde a noção de quanto o negócio dá de lucro de verdade;
  • o dinheiro da empresa some nas contas de casa sem você perceber.

Os bancos repassam informações de movimentação à Receita Federal conforme regras próprias. Ter as vendas organizadas no CNPJ, batendo com o relatório e a declaração, é a forma mais tranquila de mostrar de onde vem o dinheiro, se um dia for preciso.

O passo seguinte é combinar uma transferência fixa da conta da empresa para a sua, como "salário do dono". Veja o método no guia sobre separar o dinheiro do MEI do dinheiro de casa.

Pix, cartão e nota fiscal

A forma de pagamento não muda a obrigação de nota. Se o cliente tem CNPJ, a nota é obrigatória, pague ele em Pix, cartão, boleto ou dinheiro. Se é pessoa física, a nota continua dispensada. Detalhes no guia sobre quando o MEI emite nota.

Uma vantagem prática: o extrato da conta do CNPJ e o relatório da maquininha ajudam a conferir se nenhuma venda ficou fora do relatório mensal.

Cuidados contra golpe

  • Não aceite "comprovante" de Pix por foto sem ver o dinheiro na conta.
  • Desconfie de quem pede para devolver um Pix "feito por engano": confira no extrato e use o botão de devolução do próprio app.
  • Não passe código de segurança nem senha por mensagem, nem para quem diz ser do banco.

Próximos passos

  1. Compare hoje a tabela de tarifas de duas ou três instituições antes de abrir a conta no CNPJ.
  2. Cadastre o CNPJ como chave Pix e deixe a chave visível para os clientes.
  3. Confira no contrato da maquininha a taxa de cada modalidade e o prazo de recebimento.
  4. Configure a maquininha para depositar na conta do CNPJ.
  5. No fim do mês, compare extrato e relatório de vendas para ver se nada ficou de fora.

Perguntas que chegam no balcão

O banco pode cobrar tarifa de Pix do MEI?
Pela Resolução BCB 19/2020, o MEI tem a mesma proteção da pessoa física para enviar Pix e para receber transferências. Já no recebimento de Pix com finalidade de compra, como pagamento de venda por QR Code, a instituição pode cobrar tarifa, desde que esteja informada no contrato.
Posso receber as vendas no Pix do meu CPF?
Não há proibição, mas misturar venda com dinheiro pessoal dificulta o relatório mensal, a declaração anual e o controle do lucro. Receber no CNPJ deixa o faturamento separado e fácil de conferir.
Vender no cartão ou no Pix muda o faturamento do MEI?
Não. O faturamento é o valor da venda, qualquer que seja a forma de pagamento. A taxa da maquininha é um custo do negócio e não diminui a receita bruta que vai para o relatório.

Onde conferir na fonte

Aviso do balcão. Este guia é educativo e não substitui contador, advogado ou o atendimento oficial. Valores, prazos e limites mudam; confira sempre a regra vigente na fonte oficial antes de decidir. O Guia do Microempreendedor não vende abertura de CNPJ, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
Quem atende: Redação Guia do Microempreendedor

Escrevemos a partir das regras publicadas pela Receita Federal, pelo Portal do Empreendedor e pelo INSS, sem vender produto e sem receber para indicar ninguém. Achou um erro ou uma regra que mudou? Avise a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 22 de abril de 2027. Como trabalhamos.

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