Complementar o INSS do MEI: quando vale a pena
Complementar 15% sobre o salário mínimo faz o tempo de MEI valer para regras de contribuição cheia, mas não aumenta a aposentadoria. Veja quando faz sentido.
O que tem neste guia 8 partes
Por que existe a complementação
Dentro do DAS, o MEI paga 5% do salário mínimo para o INSS. É uma alíquota reduzida, e a lei estabelece que, com ela, a pessoa não pode usar esse tempo para aposentadoria por tempo de contribuição nem tirar a Certidão de Tempo de Contribuição (CTC).
O INSS informa que, se depois a pessoa quiser contar esse período para essas finalidades, precisa recolher a diferença de 15% sobre o salário mínimo de cada mês, com juros de mora. Somando os 5% do DAS com os 15% complementares, o mês passa a valer como uma contribuição de 20%.
O que a complementação não faz
Este é o ponto em que muita gente se engana: complementar não aumenta o valor da aposentadoria.
A conta do benefício usa a média das contribuições. Os 15% extras continuam calculados sobre o salário mínimo. A base não sobe, então a média também não sobe. O resultado segue sendo um salário mínimo.
Quem quer um benefício maior precisa contribuir sobre uma base maior, e isso não se faz com a guia complementar do MEI. Essa decisão envolve outras formas de contribuição e merece uma conversa com o INSS ou com um profissional de previdência.
Quando a complementação pode fazer sentido
Ela tende a valer a pena em situações bem específicas:
- Regra de transição por tempo de contribuição. Quem já contribuía antes da Reforma da Previdência de 2019 e está perto de completar o tempo exigido em alguma regra de transição pode precisar que os meses de MEI contem como 20%.
- Concurso público. Quem passou num concurso com regime próprio de previdência e quer levar o tempo de MEI para lá precisa da CTC, que exige contribuição cheia.
- Faltam poucos meses. Às vezes alguns meses complementados fecham uma conta que já estava quase pronta.
Quando provavelmente não faz sentido:
- Quem vai se aposentar por idade. Os 5% do DAS já contam para essa aposentadoria. Veja o guia sobre aposentadoria do MEI.
- Quem está pensando em aumentar o valor do benefício.
- Quem está com DAS atrasado. Primeiro, regularize o básico; o guia sobre DAS atrasado mostra como.
Quanto custa: um exemplo com a conta aberta
Exemplo hipotético, com números redondos: imagine um salário mínimo de R$ 1.500 durante todo o período.
- 15% de R$ 1.500 = R$ 225 por mês de complementação.
- 12 meses complementados = R$ 2.700, sem contar juros.
- 5 anos (60 meses) = R$ 13.500, sem contar juros.
Agora o lado da decisão. Se essa pessoa vai se aposentar por idade, os R$ 13.500 não mudam o valor do benefício. Se, ao contrário, esses 60 meses são exatamente o que falta para fechar uma regra de transição anos antes, a conta pode compensar. É a mesma guia; o que muda é o seu caso.
Cada mês tem como base o salário mínimo daquele ano. Meses de anos diferentes custam valores diferentes, e os pagos fora do prazo levam juros. Confira o valor do salário mínimo de cada ano no site do Ministério da Previdência Social antes de calcular.
Como pagar a guia complementar
A complementação é paga por GPS (Guia da Previdência Social), separada do DAS. O código de pagamento indicado para a complementação do MEI é o 1910. O caminho mais comum é:
- Acessar o Sistema de Acréscimos Legais (SAL), da Receita Federal, que calcula guias com juros.
- Escolher a categoria de contribuinte individual.
- Informar o NIT ou PIS, a competência (mês e ano), o código e o valor de 15% sobre o salário mínimo daquela competência.
- Gerar a guia e pagar no banco ou no aplicativo do banco.
As telas e as orientações do INSS sobre esse cálculo mudam com o tempo. Em alguns momentos, o próprio INSS indicou que o cálculo da diferença deveria ser feito pelo atendimento da Previdência. Antes de pagar, ligue no 135 e confirme o caminho válido para o seu caso. Guarde todas as guias pagas.
Complementar todo mês ou deixar para depois?
Há dois jeitos de fazer a complementação:
- Todo mês, junto com o DAS. Você paga os 15% no prazo de cada competência, sem juros. Custa mais no dia a dia, mas sai mais barato no total.
- Depois, de uma vez. Você espera para ter certeza de que precisa e paga só os meses necessários, com juros de mora sobre cada um.
Quem já sabe que vai precisar, por exemplo porque está a poucos anos de uma regra de transição, tende a economizar pagando no prazo. Quem não tem certeza costuma preferir esperar a análise do INSS, porque pagar meses que não mudam nada é dinheiro parado.
Antes de gastar: peça uma análise
Complementar é um gasto que não volta. Por isso:
- Baixe o extrato do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) no Meu INSS e veja quantos meses você tem.
- Use o simulador de aposentadoria do Meu INSS para ver em que regra você está.
- Se a complementação parecer necessária, pergunte ao INSS quantos meses e quais competências realmente mudam a sua situação.
O que fazer depende do seu histórico. Se tiver dúvida, procure orientação no INSS ou com um profissional de previdência antes de pagar.
Próximos passos
- Baixe hoje o extrato do CNIS e confira os meses de MEI pagos em dia.
- Rode a simulação de aposentadoria e anote quanto falta em cada regra.
- Responda para si: você quer contar tempo para uma regra específica ou só quer aumentar o benefício?
- Se for contar tempo, ligue no 135 e confirme quantos meses precisa complementar.
- Mantenha o DAS em dia, porque ele é a base de tudo.
Perguntas que chegam no balcão
Complementar o INSS aumenta a aposentadoria do MEI?
Quanto custa complementar um mês de MEI?
Posso complementar meses antigos de uma vez?
Onde conferir na fonte
Escrevemos a partir das regras publicadas pela Receita Federal, pelo Portal do Empreendedor e pelo INSS, sem vender produto e sem receber para indicar ninguém. Achou um erro ou uma regra que mudou? Avise a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 22 de abril de 2027. Como trabalhamos.
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